Resenha de filme: Alta Frequência

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“Alta Frequência” (Frequency no título original) é um filme de 2002, estrelado por Dennis Quaid, que conta uma história de viagem no tempo um tanto diferente do que normalmente se vê nas telonas e telinhas.

Dennis Quaid interpreta Frank Sullivan, um bombeiro que fuma feito um condenado, que em 1969 tem uma vida de comercial de margarina com sua esposa enfermeira, seu filho de seis anos e uma renca de amigos gente boa pra cacete, e que de vez em quando, no exercício da profissão, tem umas atitudes meio fora da casinha que lhe rendem admiração e fama de herói por onde passa.

Jim Caviezel interpreta John Sillivan, o filho de Frank, que em 1999 é um policial alcoolista e depressivo, incapaz de manter um relacionamento saudável, exceto por Gordo, seu amigo de infância que permanece até o presente.

Tanto em 1969 quanto em 1999 as tempestades solares produziram o efeito de Aurora Boreal, que é a parte visível da alteração do espectro eletromagnético que envolve a Terra. E isso permitiu algo inimaginável, possível apenas graças à magia do cinema.

No auge de uma tempestade solar John liga o velho radioamador herdado de seu falecido pai, e em vez de conversar com um desconhecido qualquer em algum lugar do mundo ele encontra seu próprio pai, quando ainda era vivo, em 1969. Ou seja, a alteração na frequência eletromagnética facultou não exatamente uma viagem no tempo, mas a comunicação entre pessoas em dois momentos distintos.

A primeira coisa que o filho já adulto faz é tentar salvar o pai da morte certa que aconteceria em uma semana, durante o salvamento de uma moça em um grande incêndio em um prédio abandonado. Ao evitar a morte do pai ele acaba criando um novo presente para si, ao desencadear sequências de eventos totalmente diferentes.

Entretanto, o filho passa a ter memória de seu “novo passado” sem perder a consciência de como eram as coisas na sua linha do tempo original, e isso só acontece com ele: as outras pessoas apenas acham que o álcool cozinhou se cérebro ou coisa assim.

Não vou contar todo o filme (que até um tempo atrás estava no catálogo da Netflix, e agora só existe na locadora do Paulo Coelho, e em algumas cópias horrorosas no próprio YouTube), mas é importante saber, para os efeitos desta resenha, que no final Frank sobrevive ao incêndio, à prisão, ao câncer, e aparece no último instante para salvar a rabo do filho que estava levando a pior numa luta corporal contra o assassino em série da história.

A relação entre pai e filho

É claro que o mote principal do filme são a viagem no tempo e as mudanças que alterar o passado implica no presente. 

Entretanto, o que o torna um filme memorável, com certeza, é a maneira como uma relação entre pai e filho é retratada por meio de uma metáfora.

Logo no começo da história vemos o pequeno John, com então apenas 6 anos de idade, produnfamente decepcionado com seu pai, porque este teria “deixado” acontecer uma queda da bicicleta. Percebe-se que logo depois disso o menino perdeu qualquer vínculo com o pai, o que fica simbolizado na morte precoce — como se o menino dissesse: ”já que ele se importa mais com o trabalho e as vítimas dos incêndios do que comigo, então ele está morto para mim.”

Quando a história mostra John já adulto, alcoolista, casamento desfeito (se é que houve), e tudo o mais, ele encontra um jeito de fazer as pazes com o passado, o que se simboliza no rádio amador transtemporal. A partir do momento em que ele internaliza o amor dos pais por si, e de si para eles, inicia-se o seu processo de cura, que se simboliza na caça ao serial killer de enfermeiras, a profissão de sua mãe.

Esse processo de cura se completa já nas cenas finais, quando o pai aparece para eliminar a ameaça à vida do filho, dando a entender que o processo de cura chegou ao fim, com a restauração da confiança e do prazer de estar juntos.


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Janio Sarmento

Janio Sarmento

Administrador de sistemas, CEO da PortoFácil, humanista, progressista, apreciador de computadores e bugigangas eletrônicas, acredita que os blogs nunca morrerão, por mais que as redes sociais pareçam tão sedutoras para as grandes massas.